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2016-07-04 – Via Nocturna Portugal (Interview)

Originally published:


Hi Ben! Thanks for your time! You are back with your third album. What can you say about that?
It’s good to be back! “Last Chance To Hear” was recorded in my own studio on and off over a period of about 18 months. What I mainly set out to do was tackle some older pieces of music that had been stuck in my head for years, but were too difficult to finish when I originally wrote them. They were given the freedom to be as long or as short, or as rocky or orchestral, as they wanted to be. On the album, the pieces flow around and into each other, and musical themes echo in ways you don’t necessarily expect, so there’s quite a variety of music there. The album artwork was lavishly designed by Freyja Dean (daughter of Roger Dean) and the package includes a bonus DVD featuring a making-of documentary and video clips.

You said that Last Chance To Hear was inspired in the end of the music industry as we know it. What do you want to say about it?
The digital floodgates have opened, making it easier for more musicians than ever to record and release music. But at the same time it’s never been cheaper for listeners to access music. Streaming services give people access, legally, to almost all recorded music in history for an incredibly small price. Very little of that money is returned to the actual artists. Physical media is dying and digital downloads are endangered, especially now there are reports that Apple will discontinue iTunes downloads within a few years. Without this income many independent artists and smaller record labels will cease to exist. So it seems that the major record labels and the top 40 artists have already won the battle. I try to work outside the system as much as possible by funding my own music from my day job. But many other artists don’t even have that luxury.

Musically can we say that this album is the logical continuation of your previous works? Anyway, there are any important differences?
About half of the music on this album originates from the same pool of musical ideas I developed on my previous album, especially the tracks “Critical Mass” and “Spy In The Sky”. But the big difference this time is that there are fewer vocals and more instrumentals. I didn’t feel the need to shoehorn vocals into songs where they weren’t really needed. It might have made the album sound more “commercial”, but it would have brought the listener falling back to earth with a thud, rather than blissfully floating in the cosmos! The songs which did feature vocals also tended to grow in musical scope and length, so in the end only a small portion of the final piece was

How Billy Sherwood and William Shatner appear as guests in this album? What was their contribution?
William Shatner performed vocals on “Spy In The Sky Part 3” in his own famous, individual style and he did an incredible job. I love it! Billy Sherwood’s contribution was invaluable. He produced and engineered the recording session with Shatner. Without Billy’s involvement I can confidently say that the whole thing wouldn’t have happened.

Did you join together and recorded together in studio or not?
Unfortunately not! I would have loved to, but even my budget is limited, so flying to Los Angeles for, perhaps, an hour-long recording session was not really an option.

Besides that, you played all the instruments. Do you feel comfortable with this kind of total control?
Absolutely! I imagine it would be difficult to make a “Ben Craven” album any other way. I see what I do in terms of the audio equivalent of, perhaps, what a painter does. A painter tries to express their vision on canvas. They may pencil an outline first, but they are not likely to invite a specialist in to mix the colours only, and another only to paint the sky, and someone else just to paint the flowers, and so on. It is a piece of art executed by one person, and the limitations or idiosyncrasies of the artist become their style and add to the character of the work. I’m not for a minute suggesting this is the only way to work, or the best way. But I enjoy it and I think that comes through in the music. Live performance on the other hand, especially with a band, is a completely
different prospect!

You had experience in some bands. None of them gives you the feeling in need in music. That’s the reason you decided to go on your own way?
Perhaps I’ve just been unlucky! I think that most successful bands are formed when the members are young. They make their musical discoveries together, share ideas and grow up with each other. There’s a lot of give and take until perhaps each person decides what they like and don’t like, thinks they can do better on their own and launches a solo career. In my case, I just skipped that whole step! I never really came across any like-minded musicians as a kid. Just about all my musical development, that is learning how to write and record, happened in isolation. So I spent a lot of time alone and, out of necessity, learned how to express myself musically without having to rely on anyone else. Nobody was going to help me and I certainly didn’t expect anyone to. It still is, of course, great fun to play with other people but I rarely meet anyone who shares my particular musical aspirations.

What has been done and what have you planned to promote this album in the next times?
Not enough. Never enough! I held an album launch a few weeks after the release and performed a bunch of songs from the last three albums. I’m editing the video from the performance and hope to make it available soon in some format, ideally blu-ray. I’m also developing a one-man show which I could economically take on the road and perform without losing a lot of money! It is difficult to stay focussed unfortunately because I keep wanting to make new music instead.

Well, thank you very much, once again! Do you want to add something more?
You’ve indulged me enough! Thank you!


Ben Craven é um músico solitário. E preocupado com o futuro da música. Essas preocupações ficam patentes no seu mais recente trabalho, Last Chance To Hear. E a sua solidão também, sendo um disco onde o australiano fez quase tudo sozinho. Quase porque teve a ajuda de dois monstros sagrados: Billy Sherwood e William Shatner. E foi com um simpático mas realista Ben Craven que falamos a respeito deste seu novo disco.

Olá Ben! Obrigado pela entrevista! Estás de volta com o teu terceiro álbum. O que nos podes dizer sobre isto?
É bom estar de volta! Last Chance To Hear foi gravado no meu próprio estúdio de forma descontinuada durante um período de cerca de 18 meses. O que principalmente me propus a fazer foi enfrentar algumas peças mais antigas de música que estavam presas na minha cabeça há anos, mas que foi muito difícil terminar quando as escrevi originalmente. A essas peças foi-lhes dada liberdade para serem longas ou curtas, rocky ou orquestrais, como quisessem. No álbum, as peças fluem de um lado para o outro, e os temas musicais ecoam de maneiras que não são esperadas, por isso existe lá toda uma variedade musical. A capa do álbum foi ricamente projetada por Freyja Dean (filha de Roger Dean) e o package inclui um DVD bónus com um documentário making-of e vídeos.

A dada altura referiste que Last Chance To Hear foi inspirado no final da indústria da música como a conhecemos durante muitos anos. O que querias dizer com isso exatamente?
As comportas digitais abriram, sendo agora mais fácil do que nunca, mais músicos gravarem e lançarem música. Mas, ao mesmo tempo nunca foi tão barato o acesso a essa música. Serviços de streaming permitem às pessoas o acesso legal a quase toda a música gravada na história por um preço incrivelmente baixo. Muito pouco desse dinheiro é devolvido aos artistas. O suporte físico está a morrer e os downloads digitais estão em perigo, especialmente agora que há relatos de que a Apple vai parar os downloads do iTunes dentro de alguns anos. Sem essa renda, muitos artistas independentes e pequenas editoras deixarão de existir. Assim, parece que as grandes editoras e os artistas do top 40 ganharam a batalha. Eu tento trabalhar fora do sistema, tanto quanto possível através do financiamento da minha própria música a partir do meu trabalho diário. Mas muitos outros artistas nem sequer têm esse luxo.

Musicalmente podemos dizer que este álbum é a continuação lógica dos teus trabalhos anteriores? De qualquer forma, existem algumas diferenças significativas?
Cerca de metade da música deste álbum teve origem a partir do mesmo conjunto de ideias musicais que desenvolvi no meu álbum anterior, especialmente as faixas Critical Mass e Spy In The Sky. Mas a grande diferença desta vez é que há menos vocais e mais instrumentais. Não sinto necessidade de encaixar vocais em canções onde eles não são realmente necessários. Poderia ter feito o álbum soar mais “comercial”, mas teria feito o ouvinte cair de volta à terra com um baque, ao invés de alegremente flutuar no cosmos! As canções que têm vocais também tendem a crescer em âmbito musical e comprimento, pelo que, no final, apenas uma pequena porção é cantada.

Como se proporcionou o aparecimento de Billy Sherwood e William Shatner como convidados neste álbum? Qual foi a sua contribuição?
William Shatner cantou em Spy In The Sky Part 3, no seu próprio estilo famoso, individual e fez um trabalho incrível. Gostei! A contribuição de Billy Sherwood foi inestimável. Ele produziu e criou a sessão de gravação com Shatner. Sem o envolvimento de Billy posso dizer com confiança que a coisa não teria acontecido.

Chegaram a trabalhar juntos em estúdio ou não?
Infelizmente não! Teria adorado, mas como o meu orçamento era limitado, ir a Los Angeles para, talvez, uma sessão de gravação de uma hora de duração não era uma opção.

Além disso, tocaste todos os instrumentos. Sentes-te confortável com esse tipo de controlo total?
Absolutamente! Imagino que seria difícil fazer um álbum de Ben Craven de qualquer outra forma. Eu vejo o que faço em termos de áudio equivalente, talvez, ao que um pintor faz. Um pintor tenta expressar a sua visão sobre tela. Pode até pintar um esboço a lápis primeiro, mas não é suscetível de convidar um especialista em misturar as cores, outro apenas para pintar o céu, alguém apenas para pintar as flores e assim por diante. É uma obra de arte executada por uma pessoa e as limitações ou idiossincrasias do artista tornam-se no seu estilo e adicionam ao caráter da obra. Não estou a sugerir que este é o único meio de trabalho, ou que é o melhor. Mas eu gosto e acho que isso vem através da música. Tocar ao vivo, por outro lado, especialmente com uma banda, é uma perspetiva completamente diferente!
Mas tiveste experiências em algumas bandas. Nenhuma delas te proporcionou aquilo que procuras na música. Foi por isso decidiste seguir o teu próprio caminho?
Talvez tenha sido apenas azar! Penso que as bandas de maior sucesso são formadas quando os membros são jovens. Fazem as suas descobertas musicais juntos, compartilham ideias e crescem uns com os outros. Há muito de dar e receber, até cada um decidir o que gosta e não gosta, achando que pode fazer melhor por conta própria e inicia uma carreira solo. No meu caso, esse passo foi simplesmente ignorado! Nunca me deparei com músicos com a mente aberta como um miúdo. Todo o meu desenvolvimento musical, sobre como aprender a escrever e a gravar, aconteceu de forma isolada. Portanto, passei muito tempo sozinho e, em caso de necessidade, aprendi a expressar-me musicalmente, sem ter que depender de ninguém. Ninguém me ia ajudar e eu certamente não esperava que ninguém me ajudasse. É, naturalmente, uma grande diversão tocar com outras pessoas, mas eu raramente encontro alguém que compartilhe as minhas aspirações musicais particulares.

O que já foi feito e o que ainda tens planeado fazer para promover este álbum nos próximos tempos?
Não o suficiente. Nunca é o suficiente! Houve um evento de lançamento algumas semanas após a saída do disco onde toquei muitas músicas dos últimos três álbuns. Estou em fase de edição do vídeo dessa performance e espero disponibilizá-lo em breve em algum formato, idealmente blu-ray. Também estou a desenvolver um one-man-show onde poderei, de forma económica, ir para a estrada e atuar sem perder muito dinheiro! No entanto, é difícil manter-me focado, infelizmente, porque continuo a preferir querer fazer música nova.

Muito obrigado, mais uma vez, Ben! Queres acrescentar mais alguma coisa?
Já me permitiste o suficiente! Obrigado!
Pedro Carvalho à(s) 19:05